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Como fazer um orçamento mensal em Portugal
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A maior parte dos orçamentos falha por uma razão simples: são feitos com o salário de um mês normal, e depois a vida tem meses que não são normais. Este método arranca pelo lado contrário.
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Passo 1: descubra o seu rendimento mensal real
Não use o valor que recebe num mês qualquer. Some tudo o que entrou nos últimos doze meses, incluindo subsídio de férias, subsídio de Natal e prémios, e divida por doze.
Esse número é mais baixo do que o de julho e mais alto do que o de fevereiro, e é com ele que se planeia. Os meses com subsídio deixam de ser desculpa para gastar mais e passam a ser o que financia os meses fracos.
Um aviso importante: dinheiro que um amigo lhe devolve não é rendimento. É a devolução de uma despesa que já era dele. Se o contar como rendimento, a sua taxa de poupança fica inflacionada e o orçamento mente.
Passo 2: separe o cartão refeição do resto
O subsídio de refeição em cartão tem duas características que obrigam a tratá-lo à parte: só carrega nos dias úteis trabalhados e só se gasta em locais aceites.
Se o somar ao orçamento de alimentação, vai concluir que gasta mais em comida do que gasta de facto, e o dinheiro que sai da sua conta fica escondido. Faça duas linhas: uma para o que o cartão paga, outra para o que sai da conta.
Passo 3: transforme as despesas anuais em mensais
O IUC, o seguro do carro, o seguro de vida, o IMI em prestações, a revisão da viatura, as propinas. Nenhuma destas despesas é mensal, e todas são certas.
Some o total anual e divida por doze. Esse valor é uma despesa mensal, mesmo nos meses em que não paga nada. Guarde-o à parte, numa conta poupança, e o mês em que a fatura chega deixa de ser um problema.
- IUC: valor anual conhecido, com data fixa no mês da matrícula.
- IMI: pago em maio, ou em maio e novembro, ou em três prestações, conforme o montante.
- Seguros: automóvel, saúde, vida associado ao crédito à habitação.
- Revisões e inspeção do carro.
Passo 4: fixe as três linhas que não se negoceiam
Habitação, transporte e alimentação consomem a maior parte de qualquer orçamento português. Ponha-lhes valores antes de olhar para o resto.
Se a habitação passar de 35% do rendimento mensal real, nenhum corte no café vai salvar a conta. É melhor saber isso já do que descobrir daqui a um ano.
Passo 5: pague-se primeiro
A poupança não é o que sobra no fim. O que sobra no fim tende a ser zero. Defina uma percentagem, transfira-a no dia em que o salário entra, e trate o resto como o dinheiro disponível.
Comece por um valor que consiga manter, mesmo que seja pequeno. Um orçamento que aguenta doze meses a 5% vale mais do que um que aguenta dois meses a 20%.
Passo 6: reveja a meio do mês, não no fim
Um relatório a dia 31 explica o que já não se pode mudar. O que serve é olhar por volta do dia 12 e comparar o gasto com o ritmo esperado.
É este passo que quase toda a gente salta, e é o único que muda alguma coisa. A Navefi faz esta comparação sozinha e avisa quando o ritmo do mês está acima do limite, com dias suficientes para reagir.
Um exemplo com números
Rendimento anual total de 21 000 euros, incluindo subsídios, dá um rendimento mensal real de 1 750 euros. O cartão refeição, a 10,20 euros por dia útil, acrescenta cerca de 215 euros por mês em alimentação que não sai da conta.
Uma distribuição realista: 600 euros de habitação, 180 de transporte, 220 de alimentação paga da conta, 130 de despesas anuais provisionadas, 90 de subscrições e comunicações, 250 de despesas variáveis, e 280 para poupança. Sobram 0 euros, e é isso que um orçamento é: a atribuição de todo o dinheiro antes de ele ser gasto.
Perguntas frequentes
Quanto se deve gastar em habitação em Portugal?
Uma referência prudente é ficar abaixo de 35% do rendimento mensal real, incluindo renda ou prestação, condomínio e seguros associados. Acima disso, o orçamento perde a folga necessária para absorver imprevistos.
Como se contabiliza o subsídio de férias no orçamento?
Divida-o por doze e trate-o como parte do rendimento mensal, em vez de o tratar como um extra do mês em que chega. Assim os meses com subsídio financiam os meses sem, em vez de gerarem gasto adicional.
O cartão refeição conta como rendimento?
Para efeitos de orçamento pessoal, conta como um saldo dedicado à alimentação, não como dinheiro disponível. Só carrega em dias úteis trabalhados e só se gasta em locais aceites, por isso deve ter uma linha própria.